sábado, 10 de novembro de 2007

O SEQUESTRO DO RACIOCÍNIO E O APAGÃO DA INTELIGÊNCIA

De: Pedro Porfírio
Para: Edson Nogueira Paim
Data: 08/11/07 22:17
Assunto: O SEQUESTRO DO RACIOCÍNIO E O APAGÃO DA INTELIGÊNCIA



MINHA COLUNA NA TRIBUNA DA IMPRENSA DE 9 DE NOVEMBRO DE 2007

http://www.tribunadaimprensa.com.br/porfirio.asp

"Jamais aceite como exata coisa alguma que não se conheça à evidência como tal, evitando a precipitação e a precaução, só fazendo o espírito aceitar aquilo, claro e distinto, sobre o que não pairam dúvidas".

René Descartes, filósofo francês (1596-1650)

Nos dias de hoje, nada me assusta, deprime e revolta tanto como o seqüestro do raciocínio. Nada é mais danoso e demolidor. Nada causa tantos males à espécie humana.

Não. Eu não estou falando da corrupção da consciência. Nem da corrosão do caráter. Nem da desfiguração do sentimento. Não me refiro à extinção dos valores morais, éticos e religiosos que um dia pesaram nas atitudes.

Isso o dilúvio da hipocrisia em cascata afogou em sua devastação fulminante. Há sobreviventes que ainda respeitam esses valores jurássicos, admito. Mas são espécies raras, em ostensivo processo de extinção.

O raciocínio seria a última arma da natureza humana. Seria uma ferramenta disponível como uma bússola norteadora. Você podia ter sido amputado de valores tornados subjetivos. Poderia estar inoculado do vício do mais abjeto e desesperado individualismo.

Mas, ao dispor da capacidade de raciocinar, de pensar, respeitaria um novo tipo de cânone, amparado no instinto da sobrevivência. Não importava seu juízo de valores. Mas o cérebro falava mais alto na formulação do comportamento.

Não era o ideal. Antes, a solitária sobrevivência da capacidade de raciocinar se constituía num certo recurso do pragmatismo. Na busca do êxito, o raciocínio pode destituir-se de todo e qualquer constrangimento. Mas, pelo menos, é um elemento de avaliação. Que pode ser usado para o mal, mas também para o bem.

Um certo lamento

Para variar, você pode estar cismando sobre a própria natureza da nossa conversa de hoje. Tantos e tão graves acontecimentos estão ocupando as páginas dos jornais. E, no entanto, cá estou eu empacado na mais recente descoberta: seqüestraram o raciocínio.

É verdade. Eu bem que pensei em escrever sobre o mais novo desastre aéreo - o avc que paralisou a jovem BRA, subtraindo mais 1100 empregos diretos e uma generalizada desconfiança sobre o futuro da aviação comercial brasileira, submetido a um vôo cego que, logo,logo nos levará ao convívio com o inglês nas rotas domésticas.

Queria, sim, confesso, repetir pela milésima vez: a desarticulação da VARIG foi apenas o ponto de partida de uma aventura de notas marcadas. Com o golpe que pôs no chão a mais completa companhia aérea brasileira, o desmonte de todas as empresas do ramo será inevitável, abrindo um filão suculento para a internacionalização do nosso espaço aéreo. Ou você acha que o duopólio vai segurar o tranco?

Queria comentar essa tragédia anunciada, mas a necessidade de falar dos elementos essenciais que levam a esse e a tantos outros desastres me impõe o lamento da falta de raciocínio que assola o país.

Não importa se você é grego, troiano ou não faz parte das guerras e das torcidas apaixonadas. Você pode achar que é o que achar que é, mas não pode abrir mão do raciocínio, como tem feito sem perceber, porque, além da crosta que reveste seu cérebro de meias verdades, há todo um aparato especializado em turvar o ambiente que produziu um imenso cárcere privado, virtual, invisível mas dotado dos poderes da bruxaria cibernética.

Não sei se você terá suficiente disposição para parar e pensar. Nem que seja só por um instante.. Se você estiver disposto a resgatar seu cérebro, bem que poderá retomar sua capacidade de raciocínio. Não precisa mudar quanto ás as suas antigas concepções.

Mas precisa urgentemente balizar suas atitudes na busca do respeito que todos mereceremos. O pior que lhe acontece é abrir sua guarda ao primeiro sussurro que satisfaça seu momento emocional ou seu parco estoque de conhecimentos. Você (como eu) não é obrigado a rezar pela mesma cartilha por conta de uma determinada formação que engendrou suas convicções.

Cérebros travados

O tempo, mais do que ninguém, é a melhor fonte das lições. E o raciocínio é a arte mais apurada da percepção do legado de cada dia vivido.

No momento em que você abre mão de raciocinar trava todas as suas faculdades mentais. Torna-se um cidadão de cérebro terceirizado, facilmente manipulável.

Pior. Renuncia ao que o distingue dos demais animais - a inteligência. Abre mão do maior dos alimentos, o conhecimento. Nessa seqüência de recuos fatais, perde o juízo crítico. Vira um mero repetidor dos outros, principalmente dos que detêm os meios de comunicação de massa.

Vejo que isso está acontecendo em larga escala e em todas as camadas da sociedade humana. Os mais espertos dão as cartas e escravizam os que transferem a eles o direito de pensar e decidir.

Isso é alarmante como um grande vírus da inércia que se alastra celeremente por todos os seres humanos. Vou dar um exemplo: a sociedade democrática nunca existiu. Ela devia ser a expressão da vontade livre das grandes maiorias. E, no entanto, é a expressão mesquinha de uma ínfima minoria.

Não estou falando aqui da hegemonia de uma classe sobre outra. Quem o induz a aceitar a escravidão e a impostura é um bolsão de poucos controladores da mente humana.

Esse núcleo monitor apostou na ascensão da mediocridade e no primado da incompetência na gestão de Estado, obtendo a desfiguração dos poderes republicanos e abrindo caminho para os poderes paralelos, que são os verdadeiros senhores de todos os movimentos.

Conseguiu-se o mais trágico dos desvios - a abolição dos compromissos básicos no exercício dos poderes públicos; e aí não falo só dos que escolhemos pela via do equívoco. De um modo geral, os cidadãos que deixaram de raciocinar estão expostos a decisões ilegítimas, a manobras torpes, ao crescimento da capacidade de sedução obscena.

Qualquer um, que tenha uma fonte de poder, sente-se à vontade para passar por cima de tudo como um trator desgovernado e a sociedade que renunciou às suas prerrogativas críticas acaba aceitando como um fato consumado.

Isso acontece infelizmente porque você, como a maioria dos brasileiros, já não se vale dos elementos vitais, como o censo de observação, a atenção devida, o exercício da percepção, o patrimônio da memória, a essência do raciocínio, o juízo de valor, a faculdade da imaginação, o acervo do conhecimento, a força do pensamento e a expressão de sua própria compreensão dos fatos.

Não sei se você me entendeu hoje. Mas se você parar para pensar, como já referi, verá que tudo de ruim que possa acontecer a todos nós é responsabilidade imperdoável de cada um.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

GLOBALIZAÇÃO DE MÃOS SUJAS

De: Pedro Porfírio
Para: Edson Paim
Data: 19/10/07 02:14
Assunto: GLOBALIZAÇÃO DE MÃOS SUJAS



MINHA COLUNA NA TRIBUNA DA IMPRENSA DE 19 DE OUTUBRO DE 2007

http://www.tribuna.inf.br/porfirio.asp

A interposição fraudulenta é antiga e é sistematicamente investigada pela Receita. A diferença é que agora estamos alcançando o real beneficiário das fraudes". (Gerson Schaan, coordenador de pesquisa e investigação da Receita Federal, referindo-se à multinacional norte-americana Cisco)

O desbaratamento pela nossa Polícia Federal e pela Receita de um sofisticado esquema de fraudes, contrabando e corrupção envolvendo uma das gigantes norte-americanas de informática mostra os riscos a que estamos expostos nessa febre de importação que tantos danos tem causado ao povo brasileiro, em nome da "globalização inevitável. Para mim, essa trama tem a ver com as mágicas que levam ao fechamento de fábricas no Brasil, onde a mão-de-obra é pessimamente remunerada, e até mesmo à conspiração que pôs no chão a nossa mais tradicional companhia aérea. Nesse mundo forçadamente globalizado nada acontece isoladamente.

Ele é absolutamente perverso e desigual, transformando países como o Brasil em verdadeiros reféns de insaciáveis interesses supranacionais, tão criminosos que são capazes de transformar bandeiras de grande apelo popular - como a causa indígena e a questão da ecologia - em cavalos de tróia para a exploração "protegida e camuflada" de nossas riquezas.

Para que você entenda o alcance da grande trapaça, procure saber de alguns fatos que aparecem como altamente positivos, mas que, na verdade, escondem um jogo perigoso e incontrolável. Veja, por exemplo, a "valorização" da nossa moeda.

Tem gente cheia de si, pensando que esse é um indicativo de que nosso País está atraindo um capital estrangeiro voltado para investimentos de olho no nosso mercado. E não é qualquer um que trabalha com esse raciocínio.

No entanto, se fizermos o inventário dos dólares que estão chovendo em nossa horta, contribuindo inclusive para sucessivos e festejados recordes da Bolsa de Valores de São Paulo, vamos nos deparar com um dinheiro volátil, sem compromisso, que aporta por aqui única e exclusivamente com fins especulativos.

É um dinheiro tão sujo e tão poderoso que já se sobrepôs à meta de queda de juros do Banco Central. Este mês, o Conselho de Política Monetária decidiu interromper as reduções da taxa básica, mantendo-a ainda em patamares atrativos para os especuladores.

Isso se junta ao fenômeno da desvalorização do dólar. Em nosso País, a moeda americana teve uma perda três vezes maior do que na média mundial. Como é vantagem aplicar no sistema financeiro por aqui, os grandes especuladores ganham de várias formas - tanto nos juros, como nos aumentos do índice da bolsa, como na queda da cotação da moeda a que estamos atrelados, o que estimula as importações no Brasil.

Processa-se em grande escala, criminosamente, o esvaziamento de nosso parque industrial, com o aumento do setor comercial e de serviços, este em mãos de grandes multinacionais. Não é por acaso que hoje lhe oferecem um aparelho celular de graça. Eles vão ganhar mesmo é no grande manjar, a conta telefônica com uma margem de lucro tão escandalosa que continuam ludibriando a todos. A operação com a telefonia sem fio é muitas vezes mais barata do que com o velho sistema: no entanto, pagamos mais quando ligamos para um celular do que para o aparelho fixo.

Contrabando made in USA

O que aconteceu no caso da multinacional norte-americana, cujos principais executivos passarão alguns dias na cadeia junto com outros cúmplices?

Esses meliantes, que nos surrupiaram pelo menos 1 bilhão e meio de reais (é dinheiro que não acaba mais), estão sendo indiciados pela Polícia Federal, pilhados numa organização formada para fraudar importações de produtos de informática e telecomunicações, conforme rastreamento competente do pessoal da Receita Federal.

Entre seus crimes já detectados estão contrabando, sonegação, falsidade ideológica, evasão de divisas, interposição fraudulenta, ocultação de patrimônio, uso de documento falso, formação de quadrilha e corrupção. Esse menu pode ser ampliado após análise do material apreendido em empresas e casas dos acusados.

Para variar, a matriz da Cisco Systems se disse surpreendida pelas peripécias dos seus cabeças na América Latina. E ainda teve o desplante de dizer que pretende colaborar com as investigações. Não é para menos. Essa empresa tem ações na bolsa de Nova York, e por menos disso foi à lona outra gigante de lá, a Enron (que andou por aqui mamando nas privatizações). Veja mais detalhes das peripécias da grande empresa norte-americana:

A expectativa da PF e da Receita é que a polícia americana aprofunde as investigações sobre a matriz da Cisco e as filiais da Mude nos EUA. Mude é uma estranha e ativa subsidiária do grupo. A operação mostrou que cinco empresas nos EUA, envolvidas nas atividades ilegais, estão em nomes de brasileiros. Segundo fontes da Receita, são exportadoras que funcionam como laranjas, vendendo produtos fabricados para seis importadoras no Brasil, também laranjas.

Os técnicos do Fisco afirmam que as importadoras estão em nome de pessoas que não têm renda compatível com operações desse porte: "São pessoas que têm renda baixa e moram em lugares simples", disse um funcionário.

Outras duas empresas situadas no Brasil funcionavam apenas como fornecedoras de notas fiscais. Pela fraude, a mercadoria chegava ao Brasil e ia para o galpão da empresa. Depois, outra nota fiscal era emitida, e os produtos seguiam para os verdadeiros compradores.

Estamos falando de contrabando de material de informática, mas poderíamos falar de outros produtos, com outros personagens, é claro. Ou você pensa que a droga consumida no Brasil é refinada aqui?

MINISTRO DO TRABALHO NO JACAREZINHO

É sobre o risco de que o fechamento da GE representa para a economia do País que vamos conversar neste sábado, em pleno Jacarezinho, com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Seu ministério tem hoje uma grande responsabilidade, a defesa do emprego dos brasileiros, e é preciso que se criem as condições para manter a produção de lâmpadas aqui, inclusive de fluorescentes compactas, como era da meta inicial da empresa.

Permitir que voltemos a ser importadores de produtos de consumo obrigatório, como lâmpadas, é abrir espaços para alimentar esquemas internacionais de negócios em que só temos a perder.

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domingo, 21 de outubro de 2007

terça-feira, 16 de outubro de 2007

APERTEM OS CINTOS. OS NOSSOS PILOTOS ESTÃO SUMINDO

De: Pedro Porfírio
Para: Edson Paim
Data: 11/10/07 23:48
Assunto: APERTEM OS CINTOS. OS NOSSOS PILOTOS ESTÃO SUMINDO



MINHA COLUNA NA TRIBUNA DA IMPRENSA DE 12 DE OUTUBRO DE 2007

http://www.tribuna.inf.br/porfirio.asp

Se era isso o que queriam, estão conseguindo: nossos pilotos estão sumindo. Falo do plantel mais experiente e mais treinado da aviação comercial brasileira, os formados e provados na mais tradicional companhia de nossa história - a Varig, Varig, Varig.
Esse é um dos mais perversos e mais emblemáticos efeitos da conspiração que pôs a nossa aérea mais tradicional no chão e abriu todos os céus do Brasil para suas concorrentes, inclusive empresas estrangeiras, que ainda vão acabar fazendo vôos domésticos, como já consta de projeto no Senado Federal. Senado, ah, que Senado nós temos: nem nos tempos de Brutus.
Ainda bem que estão conseguindo trabalho, diria você. Trabalho? Isso para mim é exílio puro, sem tirar nem pôr. Exílio "trabalhista", digamos, já que no grande desastre da nossa aviação comercial uma lei que fora corajosamente contestada pelo PDT, transformou os mais elementares direitos trabalhistas em cinzas.
É isso mesmo. Enquanto você fica aí à espera do próximo bote da serpente, ela já picou pelas beiradas, segundo os velhos truques dos mágicos de plantão. A chamada lei de Recuperação de empresas, a 11.101/05, foi uma lança no coração de 60 anos de justiça social.
Graças a tal monstrengo jurídico, uma Vara Empresarial passou a se superpor sobre a Justiça do Trabalho, desconhecendo sem constrangimento até pagamentos de salários atrasados. E, de quebra, para a cristalização de uma perversa impunidade, está contribuindo para o massacre dos aposentados de um fundo de pensão que não cumpre com suas obrigações mínimas, embora seja credor de sua patrocinadora.
Fazendo as malas
Reportei-me ao sumiço dos nossos pilotos, ao saber que ontem o comandante Marcelo Duarte fez as malas e partiu para Hong Kong, onde vai trabalhar numa empresa de aviação comercial de padrão excepcional, a HKE que, por sinal, foi a primeira da Ásia a comprar os modelos E-170 da Embraer.
Vice-presidente da Associação dos Pilotos da Varig, e um dos mais aguerridos líderes da categoria, ele, como seus colegas de entidade, pode ser incluído na lista dos grandes perseguidos políticos de nossos dias. Por conta de sua atuação corajosa, foi demitido em 2002, antes mesmo do trágico e trêfego leilão de 2006 e até hoje não viu a cor de um centavo de suas verbas indenizatórias E SEQUER CONSEGUIU SACAR O FUNDO DE GARANTIA. Quando demitido, era instrutor da mais respeitada e mais bem equipada escola de pilotos da América Latina, da própria empresa.
Mesmo passando o maior sufoco, entregou-se por inteiro à causa dos seus colegas, tendo uma atuação marcante ao lado do deputado Paulo Ramos na CPI da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro que mostrou os interesses sórdidos que levaram à Varig a ser uma miniatura de si mesmo.
Antes deles, outros pilotos pegaram o caminho do exílio desde o leilão que teve como únicos arrematantes os prepostos de um fundo "abutre" de investimento dos Estados Unidos, que já haviam se apoderado da Variglog. Ao todo, estima-se que 450 pilotos já atravessaram a fronteira em busca de uma sobrevivência digna.
Só no Qatar, na península arábica, há MAIS 68 pilotos brasileiros, entre eles o comandante Alexandre Pochain. Nenhum foi para lá atrás de petrodólares. Antes, saíram daqui porque, embora competentíssimos, entraram numa estranha lista da intolerância, vigente nos dias de hoje, apesar de todo esse ambiente dito democrático e de todo esse discurso sobre direitos humanos.
O comandante Elnio Borges, uma das maiores autoridades em aviação civil, que bem poderia estar à frente de uma ANAC, refugiou-se na Índia, fazendo vôos internacionais para a Europa. Para não se distanciar totalmente dos seus colegas, ele, presidente da Associação dos Pilotos da Varig, ainda consegue organizar sua escala de modo a vir uma vez por mês ao Brasil.
Outro grande esteio desse plantel de primeira linha, o comandante Paulo Calazans, está pilotando na Raynair Airlines, a maior companhia européia de vôos de baixo custo (low cost), com registro na Irlanda.
Melhor "sorte" não teve o comandante Flávio de Souza, ex-presidente da APVAR, que vive como uma espécie de ermitão em São Gabriel - RS . Ele é um dos muitos profissionais que permanecem inteiramente à margem dos "manches".
Pior para os comissários
Essa "diáspora" lembra os tempos da ditadura, em que os grandes cientistas brasileiros, principalmente os da Fundação Oswaldo Cruz, foram compelidos a sair do país, onde contribuíram com seus conhecimentos acumulados em outros centros de excelência.
São faces da mesma moeda e acabam por revelar que o poder discricionário é o mesmo, em qualquer modelo político. Aliás, os riscos de desvirtuamento das democracias já haviam sido detectados desde seus primórdios, nas avaliações de Montesquieu e Rousseau. Em qualquer regime que se preze e que esteja comprometido com os interesses da nação a preservação dos seus quadros profissionais e de sua "inteligência" é uma demonstração de pragmatismo positivo.
Voltando ao desastre da Varig. Se os seus pilotos estão indo para o exílio profissional, o que se diria dos demais profissionais, como mecânicos de vôo, comissários de bordo e aeroviários?
Os comissários são os mais sacrificados. Os mais maduros, com vasta vivência no vôo, são descartados de cara, Se este é o destino trágico de quem perde emprego depois dos quarenta, imagine entre os comissários de bordo.
Entre os mais jovens, a realidade também é adversa. Aproveitando-se da situação de desespero dos profissionais, as companhias brasileiras estão oferecendo salários baixos, equivalentes a 50% do que a Varig pagava.
Como pano de fundo dessa tragédia, as incríveis coincidências. O antigo diretor operacional da Varig, que comandou as demissões do pessoal, e era o vice-presidente operacional da TAM na ocasião do acidente que resultou centenas de mortes em Congonhas.Pelo que se consta agora se encontra na TAM MERCOSUL NO PARAGUAI, esperando a poeira abaixar. Seu dedo aparece nos eventuais vetos aos profissionais que se habilitaram à concorrente, que, embora não tenha se equipado devidamente para ocupar o espaço deixado, opera a seu modo, com as conseqüências conhecidas de toda a sociedade brasileira.
Neste momento, só resta chamar à reflexão para um projeto aeronáutico que una os países vizinhos da América Latina, como se esboça no caso do Banco do Sul. Mas esse é tema para outro momento.
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